Senador apareceu como filiado ao partido de Renan Santos às vésperas do prazo para registro de candidaturas; ministro Nunes Marques determinou retorno imediato ao PL e acionamento da Polícia Federal.
A corrida de Flávio Bolsonaro à Presidência da República foi marcada por uma reviravolta nesta quinta-feira (13). O senador, que havia aparecido no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao partido Missão, teve a filiação ao PL restabelecida por determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.
A mudança no cadastro havia impedido, temporariamente, o registro da candidatura de Flávio pelo PL. O parlamentar havia sido escolhido pela legenda para disputar a Presidência nas eleições de 2026, enquanto o Missão já possui Renan Santos como candidato ao Palácio do Planalto.
TSE determina investigação
Na decisão, Nunes Marques determinou a exclusão do registro de filiação de Flávio ao Missão e o imediato restabelecimento do vínculo partidário com o PL. O ministro também determinou que o caso seja investigado pela Polícia Federal e que sejam preservados os registros relacionados à alteração no sistema eleitoral.
A medida ocorreu depois que a equipe de Flávio identificou que o senador havia sido registrado como integrante do Missão sem autorização. A alteração, feita em 12 de agosto, aconteceu justamente na reta final do prazo para registro das candidaturas.
Pelas regras eleitorais, a filiação partidária é um dos requisitos para que o candidato possa disputar a eleição pela legenda. Por isso, a mudança no sistema criou um obstáculo imediato para o registro da candidatura presidencial de Flávio.
TSE descarta ataque hacker
Apesar das suspeitas levantadas inicialmente, o Tribunal Superior Eleitoral afirmou que não houve invasão ou hackeamento do sistema de filiação partidária.
Segundo o TSE, a alteração foi realizada utilizando credenciais válidas de acesso pertencentes ao partido Missão. A Corte classificou o episódio como uso indevido da ferramenta e determinou a apuração para identificar quem realizou o procedimento.
O próprio Missão afirmou ter sido vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta. A legenda declarou que não tinha interesse em receber Flávio Bolsonaro em seus quadros e informou que teria identificado a tentativa anteriormente, alegando ter comunicado o gabinete do senador.
Disputa de versões
O episódio provocou uma disputa de versões entre os envolvidos.
A campanha de Flávio classificou a situação como uma fraude e pediu investigação para descobrir quem efetuou a alteração. Já o Missão afirmou que também foi vítima do procedimento e que teria comunicado a Justiça Eleitoral sobre a situação.
O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, também se manifestou sobre o caso e apresentou uma versão diferente sobre a origem do cadastro, aumentando a pressão política em torno do episódio.
Com a decisão de Nunes Marques, Flávio Bolsonaro volta a constar como filiado ao PL e fica regularizado para dar prosseguimento ao registro de sua candidatura.
O prazo para o registro das candidaturas termina neste sábado (15 de agosto).
O que aconteceu
- Flávio Bolsonaro estava filiado ao PL;
- O sistema eleitoral passou a registrá-lo como filiado ao Missão;
- A alteração impediu temporariamente o registro de sua candidatura pelo PL;
- O TSE descartou ataque hacker ao sistema;
- A Corte apontou uso de credenciais válidas do Missão;
- O caso foi encaminhado para investigação da Polícia Federal;
- Nunes Marques determinou o retorno imediato de Flávio ao PL;
- O prazo para registro das candidaturas termina em 15 de agosto.
