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Rio Madeira baixa ainda mais, forma grandes bancos de areia e Porto Velho decreta emergência

Rio Madeira baixa ainda mais, forma grandes bancos de areia e Porto Velho decreta emergência

Seca do rio Madeira, em Porto Velho, outubro de 2026 - Foto: Defesa Civil Municipal

3 min de leitura · 625 palavras

Estiagem deixou o nível do rio abaixo do esperado para o período e já afeta cerca de 22,9 mil pessoas em 85 localidades, segundo a Prefeitura

 

O nível do rio Madeira continua baixando em Porto Velho e já transformou trechos do leito em grandes bancos de areia. Diante do avanço da estiagem, a Prefeitura da capital decretou situação de emergência, classificando o cenário como um desastre de nível II.

Segundo a Defesa Civil Municipal, aproximadamente 22,9 mil pessoas são afetadas pela seca em 85 localidades, incluindo comunidades rurais, ribeirinhas e aldeias indígenas.

Rio está mais de um metro abaixo do esperado

Dados de monitoramento do SipamHidro, plataforma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontam que o nível do Madeira está abaixo do esperado para esta época do ano.

Nesta terça-feira (6), o rio chegou a 2,62 metros, enquanto a média registrada para o período é de aproximadamente 3,9 metros.

Desde 1º de outubro, quando o nível ainda estava próximo dos 3 metros, o rio vem apresentando redução contínua.

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Imagens registradas pela Defesa Civil Municipal mostram a dimensão da estiagem, com grandes praias e bancos de areia surgindo em pontos onde normalmente há água.

Estiagem afeta comunidades ribeirinhas

Seca do rio Madeira, em Porto Velho – Foto: Defesa Civil Municipal

 

O problema vai além da redução do nível do rio. Comunidades ribeirinhas localizadas no Alto, Médio e Baixo Madeira enfrentam dificuldades para ter acesso à água.

De acordo com a Defesa Civil, muitas dessas comunidades não contam com abastecimento por rede de água e dependem de poços artesianos, que também estão sendo afetados pela estiagem.

A baixa do rio também compromete o deslocamento das famílias que dependem da navegação para chegar a outras localidades.

Segundo Marcelo Duarte, diretor executivo da Superintendência Municipal de Proteção e Defesa Civil, a presença de bancos de areia tem dificultado ainda mais o acesso às comunidades.

“O nível do rio está muito baixo. […] As outras comunidades que ficam mais abaixo são muito mais afetadas em decorrência de um volume muito alto ali de um banco de areia, dificuldade de acesso e as restrições com relação aos poços”, explicou.

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Fenômeno climático é apontado como fator de agravamento

Marcelo Duarte também afirmou que o cenário de estiagem deste ano teria sido agravado pela influência do El Niño.

“Essa situação da estiagem é algo que ocorre todos os anos, mas esse ano ela foi agravada por conta do fenômeno e de todos os efeitos que dão ao redor dele”, explicou.

A região amazônica passa anualmente por um período de menor volume de chuvas, conhecido popularmente como “verão amazônico”, geralmente entre julho e novembro. Neste ano, porém, o baixo nível do Madeira tem provocado impactos adicionais para as comunidades que dependem diretamente do rio.

Decreto prevê medidas emergenciais

Diante da situação, o prefeito de Porto Velho assinou um decreto reconhecendo a emergência como desastre de nível II.

A medida permite ao município buscar apoio dos governos estadual e federal para ações emergenciais, incluindo o fornecimento de água potável por caminhões-pipa e embarcações.

O decreto também prevê a possibilidade de dispensa de licitação para aquisições relacionadas à situação emergencial, conforme as regras aplicáveis.

A situação de emergência terá validade de 180 dias.

Ribeirinhos às margens do rio Madeira seco em Porto Velho – Foto: Defesa Civil Municipal.

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