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Menino de 3 anos morre durante transferência para Cacoal e mãe cobra criação de UTI Pediátrica em Vilhena

Menino de 3 anos morre durante transferência para Cacoal e mãe cobra criação de UTI Pediátrica em Vilhena

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

3 min de leitura · 598 palavras

João Miguel passou mal, precisou ser transferido por falta de atendimento especializado e não resistiu durante a viagem; família questiona a estrutura da saúde pública na região

A morte do pequeno João Miguel de Souza Azevedo, de 3 anos, durante uma transferência hospitalar entre o Cone Sul de Rondônia e Cacoal, reacendeu o debate sobre a ausência de uma UTI Pediátrica em Vilhena. Abalada pela perda do filho, a mãe, Larissa Azevedo, afirma que passará a integrar o movimento de famílias que cobram investimentos na saúde infantil da região.

Moradora do distrito de Perobal, a cerca de 40 quilômetros de Vilhena, Larissa contou que a trajetória de João Miguel sempre foi marcada por desafios. Ainda durante a gestação, o menino foi diagnosticado com uma malformação na coluna e precisou passar por uma delicada cirurgia fetal realizada em São Paulo. Após o nascimento, também enfrentou hidrocefalia e outras complicações de saúde, mas levava uma vida ativa e sonhava em iniciar os estudos.

Mal-estar evoluiu rapidamente

Segundo a mãe, no último domingo (12.jul), João Miguel passou o dia normalmente com a família. Na manhã seguinte, começou a reclamar de fortes dores na região inferior do abdômen.

Inicialmente, a suspeita era de que o desconforto estivesse relacionado a um problema urinário que ele já apresentava. Mesmo assim, a criança foi levada ao Hospital Municipal de Colorado do Oeste.

Durante o atendimento, exames apontaram uma taxa de glicemia próxima de 300 mg/dL, indicando um quadro grave. Conforme o relato da mãe, o menino passou a sentir muita sede e, em meio ao sofrimento, repetia um pedido que ela jamais esquecerá:

“Ajuda, mãe.”

Transferência terminou em tragédia

Diante da gravidade do caso, João Miguel foi regulado para atendimento em Cacoal. Segundo a família, em Vilhena não havia atendimento pediátrico disponível naquele horário, nem possibilidade de realizar uma tomografia que pudesse auxiliar no diagnóstico.

Durante o trajeto de ambulância, já nas proximidades de Pimenta Bueno, o estado de saúde da criança piorou drasticamente.

A equipe médica iniciou imediatamente as manobras de reanimação, que se estenderam por cerca de 40 minutos.

Larissa faz questão de destacar o empenho dos profissionais que acompanhavam a transferência.

“As enfermeiras e o médico fizeram tudo o que podiam. O médico falava em milagre enquanto tentava salvar meu filho, e uma das enfermeiras chorava de desespero porque não havia mais o que fazer”, relatou.

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João Miguel chegou a ser levado para uma unidade hospitalar em Pimenta Bueno, onde foi entubado, mas o óbito acabou sendo confirmado pouco depois.

Mãe cobra mudanças na saúde pública

Em meio à dor, Larissa questiona a falta de estrutura para atender crianças em estado grave na região do Cone Sul.

Segundo ela, a ausência de uma UTI Pediátrica e de atendimento especializado em Vilhena pode ter contribuído para o desfecho trágico.

“Como é que uma cidade tão grande e rica como Vilhena não tem uma UTI Pediátrica?”, desabafou.

A mãe afirma que irá se unir a outras famílias que perderam filhos em circunstâncias semelhantes para cobrar das autoridades investimentos na rede pública de saúde, especialmente na implantação de uma unidade de terapia intensiva pediátrica em Vilhena.

Informações do Folha do Sul On Line

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