Termo ganhou destaque após a rápida intensificação de um sistema no Atlântico Sul; fenômeno é conhecido na meteorologia como ciclogênese explosiva
O nome “ciclone-bomba” ganhou destaque nas notícias e chamou a atenção de milhões de brasileiros, principalmente após a formação de um sistema de rápida intensificação no Atlântico Sul no início de agosto. Mas, afinal, o que significa esse termo e por que esse tipo de fenômeno exige atenção?
Apesar do nome impressionante, “ciclone-bomba” não é um tipo diferente de ciclone. A expressão é usada para descrever um ciclone extratropical que apresenta uma queda muito rápida da pressão atmosférica e, consequentemente, uma intensificação acelerada. Na meteorologia, esse processo é chamado de ciclogênese explosiva ou bombogênese.
Por que ele recebe o nome de “bomba”?
A explicação está na velocidade com que o sistema se fortalece.
De acordo com a NOAA, a bombogênese ocorre quando um ciclone de latitudes médias se intensifica rapidamente em um período de aproximadamente 24 horas. Um dos critérios utilizados é uma queda expressiva da pressão atmosférica no centro do sistema.
O valor necessário varia conforme a latitude.
Na prática, isso significa que um sistema de baixa pressão que já existe pode ganhar força de maneira muito rápida, provocando mudanças significativas nas condições do tempo.
Como o fenômeno se forma?
Os ciclones extratropicais estão associados principalmente ao encontro e contraste entre massas de ar com características diferentes, especialmente ar quente e frio.
Quando as condições atmosféricas são favoráveis, esse sistema de baixa pressão pode se aprofundar rapidamente. O processo provoca uma intensificação da circulação dos ventos ao redor do centro do ciclone.
Foi justamente esse cenário que chamou a atenção do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) no início de agosto.
O órgão monitorou a possibilidade de formação de um ciclone-bomba entre a Argentina, o Uruguai, o Sul do Brasil e o Atlântico, destacando que a confirmação da ciclogênese explosiva dependeria da evolução da pressão atmosférica.
Quais são os riscos?
Um ciclone-bomba pode provocar ventos muito fortes, chuva intensa, tempestades, trovoadas, granizo e agitação marítima.
Durante o episódio registrado no início de agosto, o INMET alertou para condições de tempo severo na Região Sul, além da possibilidade de impactos em áreas do Mato Grosso do Sul e de São Paulo. Entre os riscos estavam rajadas intensas, tempestades e ocorrência de granizo.
A força dos ventos também pode causar queda de árvores, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e dificuldades no trânsito, além de aumentar os riscos em áreas costeiras.
Ciclone-bomba é igual a furacão?
Não.
Embora ambos possam produzir ventos muito fortes, são fenômenos diferentes.
O ciclone-bomba geralmente está associado a ciclones extratropicais de latitudes médias, enquanto furacões são ciclones tropicais, que se formam sobre águas tropicais ou subtropicais e possuem características atmosféricas distintas.
O termo “bomba”, portanto, não significa que o sistema seja uma explosão ou que exista algum tipo de explosivo envolvido. É uma expressão meteorológica relacionada à rapidez com que a pressão atmosférica diminui e o ciclone se intensifica.
Informação também é prevenção
Fenômenos meteorológicos extremos podem provocar impactos que vão muito além da chuva. Por isso, acompanhar previsões, avisos meteorológicos e orientações dos órgãos oficiais é fundamental para reduzir riscos.
Em situações de tempo severo, a recomendação é evitar áreas abertas durante tempestades, manter distância de árvores e estruturas que possam cair e redobrar a atenção em deslocamentos.
Entender o fenômeno é o primeiro passo para se preparar.
O “ciclone-bomba” pode parecer um termo assustador, mas compreender como ele funciona ajuda a transformar informação em prevenção – e prevenção pode fazer a diferença quando o tempo muda rapidamente.
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