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O silêncio das vozes: por que o ano de 2026 se tornou um dos mais tristes para a imprensa de Rondônia

O silêncio das vozes: por que o ano de 2026 se tornou um dos mais tristes para a imprensa de Rondônia

Foto: Divulgação/Arquivo Gerado por IA

4 min de leitura · 774 palavras

Em menos de um ano, o jornalismo rondoniense sofre um apagão histórico com a perda consecutiva de locutores, cronistas, jornalistas políticos e cinegrafistas que ajudaram a traduzir o estado para os seus próprios cidadãos

 

Por Redação Verguia – 14 de outubro de 2026

O ano de 2026 tem se desenhado como um período de profunda melancolia e transição forçada para a crônica jornalística de Rondônia. Em um curto espaço de tempo, uma sucessão de perdas humanas silenciou microfones vibrantes, apagou lentes atentas e interrompeu canetas que há décadas traduziam os bastidores do poder e o cotidiano da Amazônia Ocidental.

Mais do que estatísticas, o falecimento de nomes que vão do rádio de poste à era digital representa o fechamento de capítulos inteiros da história da comunicação do estado.

O golpe mais recente ocorreu no início de outubro, com a partida do cinegrafista Márcio Nery, aos 50 anos. Nery, que atuava na RedeTV! em Ji-Paraná, pertencia a uma das famílias mais tradicionais da imprensa do interior rondoniense.

Na mesma semana, a capital, Porto Velho, despediu-se de Victoria Bacon, jornalista, colunista e professora de 45 anos que, por duas décadas, emprestou rigor técnico e sensibilidade social às páginas da mídia impressa e portais digitais do estado.

Em nota oficial, a Associação Rondoniense de Locutores Esportivos (ARLER) lamentou o cenário crítico:

“A imprensa de Rondônia perde mais do que técnicos e vozes operantes; perde os guardiões da nossa memória recente. O vácuo deixado por esses profissionais em 2026 é imensurável e nos deixa em profundo luto profissional e institucional”.

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A velha guarda e a velocidade das redes

A sensação de um “apagão geracional” começou a se acentuar no meio do ano.

Em julho, o jornalismo político perdeu a acidez e o conhecimento enciclopédico de Edson Morais, analista veterano de 72 anos, cujos textos em blogs e portais eletrônicos serviam de bússola para compreender o xadrez político regional.

Dias antes, a crônica esportiva recolhia suas bandeiras com a morte de Wolney Alonso, o “Poeta”, aos 70 anos.

Ex-presidente da ARLER, Alonso marcou época na TV Meridional (SBT) e na histórica Rádio Caiari, imortalizando-se por seu estilo lírico de narrar o futebol local.

“Wolney não narrava apenas o jogo; ele traduzia a alma do torcedor rondoniense em poesia falada”, declarou um colega de bancada em emocionante homenagem póstuma durante a transmissão local.

A dor da perda também atingiu a nova geração. O locutor Luciano Neto Lima da Silva, de apenas 34 anos, uma das vozes mais promissoras da Rádio Rondônia FM, teve a vida interrompida abruptamente em uma rodovia federal.

Em um último gesto que ecoou a generosidade de sua profissão – que vive de servir ao público -, a família autorizou a doação de seus órgãos.

“Ele comunicava com o coração e, mesmo na despedida, permitiu que outros corações continuassem a bater”, manifestou a direção da emissora em editorial.

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O eco do luto na Região Norte

O luto de Rondônia parece sintonizado com o cenário da Região Norte como um todo. Nesta mesma semana, o vizinho estado do Acre chora a perda do icônico jornalista Ayres Rocha, da Rede Amazônica.

O esvaziamento desses profissionais deixa lacunas difíceis de preencher. Em um estado jovem como Rondônia, onde a identidade cultural e política ainda se consolida, o jornalista regional atua não apenas como relator dos fatos, mas como um arquivo vivo.

Quando essas figuras saem de cena, o estado não perde apenas profissionais da notícia: perde um pedaço de sua própria história.

 

Infográfico: Registro de Perdas na Imprensa Rondoniense (2026)

 

Profissional Atuação principal Cidade-polo Data do Falecimento Causa Mortis
Márcio Nery Cinegrafista (RedeTV!) Ji-Paraná 8 de outubro de 2026 Pneumonia grave decorrente de câncer de pulmão
Victoria Bacon Jornalista, colunista e professora Porto Velho 6 de outubro de 2026 Complicações clínicas pós-internação hospitalar
Edson Morais Jornalista político e analista de portais Porto Velho Julho de 2026 Complicações decorrentes de problemas crônicos de saúde
Luciano Neto Locutor de rádio (Rádio Rondônia FM) Porto Velho 25 de julho de 2026 Politraumatismo decorrente de acidente de trânsito na BR-364
Wolney Alonso Cronista esportivo, radialista e narrador Porto Velho Julho de 2026 Falência de órgãos decorrente de AVC e tratamento de câncer

 

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