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Perigo na cadeira do dentista: Justiça suspende norma que liberava sedação profunda por dentistas

Perigo na cadeira do dentista: Justiça suspende norma que liberava sedação profunda por dentistas

Foto: Divulgação/Arquivo

3 min de leitura · 544 palavras

Anestesiologistas alertam para riscos graves à vida; CFM e SBA apontam invasão do ato médico e falta de estrutura em consultórios odontológicos.

 

A busca pelo consultório sem dor virou uma queda de braço jurídica e médica que acende um alerta vermelho para a segurança da população.

A Resolução CFO nº 295/2026, emitida pelo Conselho Federal de Odontologia, tentou autorizar cirurgiões-dentistas a realizar procedimentos de sedação profunda e analgesia por via endovenosa.

A reação da comunidade médica foi imediata. Diante do risco iminente à vida dos pacientes, a 3ª Vara Federal Cível do Distrito Federal suspendeu liminarmente os efeitos da norma.

A decisão atendeu ao pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), reforçando que a prática é exclusiva da medicina.

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O perigo oculto na dosagem

Muitos pacientes confundem a sedação com um “soninho” inofensivo. No entanto, especialistas explicam que a linha que separa a sedação moderada, a profunda e a anestesia geral é extremamente tênue.

O avanço de um estágio para o outro pode ocorrer em segundos devido a variações individuais de peso, metabolismo ou sensibilidade ao medicamento.

[Sedação Leve] ─> [Sedação Moderada] ─> [Sedação Profunda] ─> [Anestesia Geral]

(Paciente cooperativo) (Resposta a estímulos)  (Risco de apneia)            (Perda de reflexos vitais)

Na sedação profunda, o paciente atinge um estado de depressão da consciência onde os riscos são severos:

📲 Fique por dentro de tudo, siga a gente:
  • Bloqueio respiratório: Perda da capacidade de respirar espontaneamente.
  • Perda de reflexos protetores: Incapacidade de tossir ou engolir, o que pode fazer a pessoa aspirar saliva, sangue ou resíduos dentários para os pulmões.
  • Colapso cardiovascular: Quedas bruscas de pressão e arritmias cardíacas que podem levar à parada cardiorrespiratória.

O que diz a lei e as entidades médicas

O CFM e a SBA sustentam que permitir a sedação profunda por profissionais sem formação médica viola a Lei do Ato Médico (Lei nº 12.842/2013).

“A anestesia e a sedação profunda exigem anos de especialização médica exatamente porque o profissional precisa saber como ressuscitar um paciente e manejar vias aéreas críticas em segundos”, alertam as entidades em nota conjunta.

Consultórios odontológicos convencionais, em sua maioria, não possuem a infraestrutura de uma UTI ou centro cirúrgico hospitalar — como carrinhos de parada, desfibriladores avançados e gases medicinais — necessários para reverter uma emergência médica decorrente do excesso de sedativos.

Como o paciente deve se proteger?

Para não colocar a vida em risco por falta de informação, o paciente deve adotar três cuidados básicos antes de qualquer procedimento:

  1. Questione o método: Pergunte ao dentista se a sedação proposta é a consciente (feita com óxido nitroso, permitida por lei para a categoria) ou se envolve medicamentos injetáveis na veia (endovenosa).
  2. Exija o anestesista: Caso o procedimento exija sedação profunda, exija a presença de um médico anestesiologista na sala, focado exclusivamente no monitoramento dos seus sinais vitais.
  3. Cheque a estrutura: Certifique-se de que o local possui equipamentos de suporte avançado de vida e equipe treinada para intercorrências graves.

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