Raimundo Cutrim foi alvo de busca autorizada por Alexandre de Moraes; investigação começou após reportagens do jornalista Luís Pablo sobre veículos utilizados pelo ministro e familiares
A investigação da Polícia Federal envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino avançou para uma pessoa apontada pelos investigadores como fonte de reportagens publicadas contra o magistrado.
Nesta terça-feira (11.ago), o ministro Alexandre de Moraes autorizou buscas contra Raimundo Soares Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, e contra Diogo Diniz Lima, ex-secretário municipal de São Luís.
Cutrim é apontado pela PF como uma das fontes do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, responsável pelo Blog do Luís Pablo.
A investigação teve origem em publicações que questionavam o uso de veículos oficiais por Flávio Dino e familiares.
Reportagens colocaram os veículos oficiais no centro da discussão
As publicações de Luís Pablo chamaram atenção para veículos utilizados na segurança e nos deslocamentos de Flávio Dino em São Luís.
As reportagens levantaram questionamentos sobre a utilização de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) e sobre a forma como o veículo teria sido disponibilizado para o ministro.
A equipe de Dino, entretanto, nega que tenha ocorrido uso irregular de veículos oficiais.
O caso acabou chegando à Polícia Federal depois que a segurança do ministro identificou o que considerou um possível monitoramento de seus deslocamentos e dos de seus familiares.
PF identificou a suposta fonte
Segundo as informações apresentadas na investigação, a PF chegou a Raimundo Cutrim após analisar equipamentos apreendidos anteriormente do jornalista.
Nas conversas encontradas, um contato identificado como “Secretário Raimundo Cutrim” teria enviado ao jornalista informações, fotografias e vídeos posteriormente utilizados nas reportagens.
A partir desses dados, os investigadores passaram a tratar Cutrim como uma possível fonte das informações relacionadas a Dino.
Cutrim já ocupou cargos de destaque no Maranhão e foi secretário estadual de Segurança Pública, além de ter exercido mandato de deputado estadual.
Jornalista também já havia sido alvo de busca
A investigação não começou com a operação desta terça-feira.
Em março, Luís Pablo também foi alvo de uma busca e apreensão determinada pelo STF. Na ocasião, equipamentos eletrônicos utilizados pelo jornalista foram apreendidos.
A análise desse material teria sido fundamental para que os investigadores identificassem a pessoa apontada agora como fonte das informações.
O avanço da investigação provocou reação de entidades ligadas à imprensa, que questionam os possíveis impactos da medida sobre o sigilo da fonte jornalística.
R$ 100 mil também aparecem na investigação
Outro ponto mencionado pela investigação é uma movimentação financeira de R$ 100 mil envolvendo Diogo Diniz Lima e pessoas relacionadas ao caso.
Segundo informações apresentadas pela PF, o valor teria relação com a aquisição de um imóvel pelo jornalista. A investigação busca esclarecer a finalidade da transferência e se existe relação entre a movimentação financeira e as publicações.
Até o momento, isso é objeto de investigação e não significa que tenha sido comprovado judicialmente que o dinheiro foi pago para a publicação de reportagens.
O que está sendo investigado?
A apuração reúne diferentes pontos:
Quem forneceu informações ao jornalista;
Como foram obtidos dados sobre os veículos e deslocamentos de Flávio Dino;
Se houve acesso indevido a informações ou sistemas restritos;
Se ocorreu monitoramento ilegal do ministro e familiares;
Qual a finalidade da transferência de R$ 100 mil mencionada pela PF.
A investigação corre sob sigilo e ainda não representa condenação dos envolvidos.
Debate vai além da política
O caso também abriu uma discussão sobre os limites entre jornalismo investigativo, proteção de fontes e investigação criminal.
De um lado, a PF sustenta que existem indícios que precisam ser esclarecidos envolvendo informações sobre a segurança de uma autoridade.
De outro, entidades de imprensa e a defesa dos investigados demonstram preocupação com a possibilidade de uma investigação alcançar uma fonte jornalística, princípio protegido constitucionalmente.
Enquanto isso, permanece uma questão que está na origem de toda a história: por que informações e imagens sobre os veículos utilizados por Flávio Dino chegaram ao jornalista e quem estava por trás desse fornecimento?
A resposta deverá surgir com o avanço da investigação.
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