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Prazo para tarifa extra dos EUA sobre produtos brasileiros termina nesta quarta-feira sem previsão de acordo

Prazo para tarifa extra dos EUA sobre produtos brasileiros termina nesta quarta-feira sem previsão de acordo

Imagem: Shutterstock

3 min de leitura · 538 palavras

Impasse envolve etanol, açúcar e Pix; especialistas avaliam que medida tem forte componente político e pode impactar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

O prazo estabelecido pelo governo dos Estados Unidos para decidir sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil termina nesta quarta-feira (15). Até o momento, não há sinalização de um acordo entre os dois países para evitar a medida.

A decisão está sob análise do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais em áreas como o Pix, o comércio de etanol e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.

Negociações seguem travadas

As conversas entre os governos enfrentam dificuldades em diferentes frentes. O Brasil resiste à possibilidade de negociar mudanças envolvendo o sistema de pagamentos Pix e também rejeita reduzir a tarifa aplicada ao etanol norte-americano sem que os Estados Unidos retirem as barreiras impostas ao açúcar brasileiro.

Atualmente, o açúcar exportado pelo Brasil enfrenta uma sobretaxa considerada elevada para entrar no mercado americano, enquanto Washington pressiona por maior acesso do etanol produzido nos Estados Unidos ao mercado brasileiro.

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Especialistas apontam motivação política

Para analistas em relações internacionais, a proposta de elevar as tarifas vai além das questões comerciais.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil afirmam que a iniciativa estaria ligada à estratégia do governo do presidente Donald Trump de ampliar sua influência política e econômica na América Latina, especialmente diante do fortalecimento das relações comerciais entre o Brasil e a China.

Segundo essa avaliação, a medida seria utilizada como instrumento de pressão para que países da região adotem políticas mais alinhadas aos interesses de Washington.

Governo brasileiro mantém posição

O Ministério das Relações Exteriores defende que a aplicação das tarifas poderá prejudicar uma relação comercial considerada estratégica para ambos os países.

O ministro Mauro Vieira afirmou que a adoção da sobretaxa reduziria o espaço para negociações e dificultaria a construção de soluções por meio do diálogo.

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Já o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reforçou que o etanol é um setor estratégico para a economia brasileira, especialmente para os estados produtores, e que não há interesse em flexibilizar as regras atuais sem uma contrapartida equivalente por parte dos Estados Unidos.

Setor produtivo acompanha negociações

Entidades representativas da cadeia sucroenergética brasileira também defendem a manutenção da posição do governo. Associações do setor afirmam que a redução das importações de etanol norte-americano não ocorreu apenas por causa das tarifas, mas principalmente pelo crescimento da produção nacional.

Enquanto isso, empresários e exportadores aguardam a decisão final do governo norte-americano, que poderá impactar diversos segmentos da economia brasileira caso a tarifa adicional entre em vigor.

A expectativa é de que a definição seja anunciada ainda nesta quarta-feira (15), encerrando um período de incerteza nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: Agência Brasil.

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