Impasse envolve etanol, açúcar e Pix; especialistas avaliam que medida tem forte componente político e pode impactar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
O prazo estabelecido pelo governo dos Estados Unidos para decidir sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil termina nesta quarta-feira (15). Até o momento, não há sinalização de um acordo entre os dois países para evitar a medida.
A decisão está sob análise do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais em áreas como o Pix, o comércio de etanol e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.
Negociações seguem travadas
As conversas entre os governos enfrentam dificuldades em diferentes frentes. O Brasil resiste à possibilidade de negociar mudanças envolvendo o sistema de pagamentos Pix e também rejeita reduzir a tarifa aplicada ao etanol norte-americano sem que os Estados Unidos retirem as barreiras impostas ao açúcar brasileiro.
Atualmente, o açúcar exportado pelo Brasil enfrenta uma sobretaxa considerada elevada para entrar no mercado americano, enquanto Washington pressiona por maior acesso do etanol produzido nos Estados Unidos ao mercado brasileiro.
Especialistas apontam motivação política
Para analistas em relações internacionais, a proposta de elevar as tarifas vai além das questões comerciais.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil afirmam que a iniciativa estaria ligada à estratégia do governo do presidente Donald Trump de ampliar sua influência política e econômica na América Latina, especialmente diante do fortalecimento das relações comerciais entre o Brasil e a China.
Segundo essa avaliação, a medida seria utilizada como instrumento de pressão para que países da região adotem políticas mais alinhadas aos interesses de Washington.
Governo brasileiro mantém posição
O Ministério das Relações Exteriores defende que a aplicação das tarifas poderá prejudicar uma relação comercial considerada estratégica para ambos os países.
O ministro Mauro Vieira afirmou que a adoção da sobretaxa reduziria o espaço para negociações e dificultaria a construção de soluções por meio do diálogo.
Já o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reforçou que o etanol é um setor estratégico para a economia brasileira, especialmente para os estados produtores, e que não há interesse em flexibilizar as regras atuais sem uma contrapartida equivalente por parte dos Estados Unidos.
Setor produtivo acompanha negociações
Entidades representativas da cadeia sucroenergética brasileira também defendem a manutenção da posição do governo. Associações do setor afirmam que a redução das importações de etanol norte-americano não ocorreu apenas por causa das tarifas, mas principalmente pelo crescimento da produção nacional.
Enquanto isso, empresários e exportadores aguardam a decisão final do governo norte-americano, que poderá impactar diversos segmentos da economia brasileira caso a tarifa adicional entre em vigor.
A expectativa é de que a definição seja anunciada ainda nesta quarta-feira (15), encerrando um período de incerteza nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Fonte: Agência Brasil.


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