Declaração consta de documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos; Casa Branca acusa governo brasileiro de falhar no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (16). Em um documento encaminhado ao Congresso norte-americano, a administração Trump afirmou que o Brasil falhou no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) e declarou que as duas facções transformaram o país em um “centro de distribuição global de cocaína”.
A declaração integra o documento anual do governo dos Estados Unidos sobre países considerados relevantes na produção ou no trânsito de drogas ilícitas e sobre os esforços adotados por governos estrangeiros no combate ao narcotráfico.
Segundo o texto, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental adotariam medidas para reduzir o fluxo de drogas e combater organizações criminosas, o governo brasileiro teria falhado em confrontar as duas facções brasileiras.
A Casa Branca também afirma que PCC e Comando Vermelho representam uma ameaça que ultrapassa as fronteiras brasileiras e cobra do governo brasileiro a adoção de medidas mais firmes contra os grupos.
Brasil não aparece na lista principal de países de trânsito ou produção
Um ponto importante do documento é que, apesar das críticas direcionadas ao Brasil, o país não foi incluído formalmente na relação dos principais países identificados pelos Estados Unidos como grandes produtores ou rotas de trânsito de drogas ilícitas.
A lista deste ano inclui países como México, Colômbia, Peru, Bolívia e Equador. A menção ao Brasil aparece em outra parte do documento, especificamente relacionada à atuação do PCC e do Comando Vermelho.
PCC e Comando Vermelho foram classificados como organizações terroristas pelos EUA
A declaração ocorre meses depois de o governo norte-americano ampliar as medidas contra as duas maiores facções criminosas brasileiras.
Em maio, o Departamento de Estado dos EUA anunciou a designação do Comando Vermelho e do PCC como Specially Designated Global Terrorists (SDGTs) e informou que as organizações também seriam designadas como Foreign Terrorist Organizations (FTOs) a partir de 5 de junho de 2026.
O governo norte-americano afirma que as redes criminosas possuem atuação internacional e movimentam recursos relacionados ao tráfico de drogas e outras atividades ilícitas.
Em julho, o Departamento do Tesouro dos EUA também aplicou sanções contra pessoas e empresas brasileiras apontadas como ligadas ao PCC e à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico.
Governo brasileiro já contestou classificação das facções
A classificação das organizações como terroristas provocou reação do governo brasileiro. Em maio, Lula criticou a decisão norte-americana e afirmou que a medida representava uma interferência em assuntos internos do Brasil.
O governo brasileiro também manifestou preocupação com possíveis impactos da classificação sobre empresas e setores da economia que possam ter algum tipo de relação indireta com regiões onde as organizações criminosas possuem atuação.
Nova pressão de Washington sobre Brasília
A nova manifestação aumenta a pressão do governo Trump sobre a política brasileira de segurança e combate ao narcotráfico.
O episódio ocorre ainda em um período de forte tensão política entre Brasília e Washington, com divergências anteriores envolvendo questões comerciais, decisões do Judiciário brasileiro e a situação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Importante: a afirmação de que o Brasil teria se tornado um “centro de distribuição global de cocaína” é uma declaração do governo Trump, registrada no documento norte-americano.
Ela não significa que os Estados Unidos tenham incluído oficialmente o Brasil na lista de principais países produtores ou de trânsito de drogas deste ano.
Informações do Poder360, Veja e Reuters

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