Epidemia provocada pela rara variante Bundibugyo avança no país; OMS alerta para os desafios no controle da doença e acompanha registros em outros países.
O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou a marca de 5 mil casos confirmados e 2,3 mil mortes, segundo dados divulgados pelas autoridades de saúde nesta quarta-feira (19).
A atual epidemia está relacionada à variante Bundibugyo, uma das espécies do vírus Ebola.
A circulação da doença tem sido registrada principalmente em regiões do nordeste do país, incluindo as províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha a situação e considera elevado o risco de disseminação do vírus nos níveis nacional e regional. Entre os principais obstáculos para conter o avanço da doença estão a violência armada, os deslocamentos da população e a desconfiança de parte dos moradores em relação às equipes de saúde.
Esses fatores dificultam ações fundamentais, como o rastreamento de contatos e a identificação precoce de pessoas infectadas.
Além da República Democrática do Congo, Uganda registrou casos relacionados à transmissão originada no país, enquanto a França também confirmou uma infecção epidemiologicamente ligada ao surto.
Cinco espécies do vírus Ebola
Até o momento, foram descritas cinco espécies do vírus Ebola, sendo quatro capazes de causar doença em seres humanos e uma conhecida por afetar apenas primatas não humanos e outros animais.
São elas:
- Vírus Ebola (Zaire ebolavirus) – espécie associada a alguns dos maiores surtos já registrados.
- Vírus Sudão (Sudan ebolavirus) – responsável por surtos de doença pelo vírus Ebola, principalmente na África.
- Vírus Taï Forest (Taï Forest ebolavirus) – espécie rara, identificada inicialmente na Costa do Marfim.
- Vírus Bundibugyo (Bundibugyo ebolavirus) – responsável pelo atual surto na República Democrática do Congo.
- Vírus Reston (Reston ebolavirus) – conhecido por infectar primatas não humanos e por não ter sido associado a doença clínica em seres humanos.
A variante Bundibugyo é considerada rara e apresenta desafios específicos para a resposta de saúde pública. A OMS mantém grupos estratégicos avaliando alternativas de vacinas e tratamentos para a doença.
O que é o Ebola?
O Ebola é uma doença viral grave causada por vírus do gênero Ebolavirus. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com sangue, tecidos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas, inclusive cadáveres, além do contato com animais contaminados.
Os principais sintomas incluem febre, fraqueza intensa, vômitos, diarreia, dor abdominal, perda de apetite e dor de garganta. Em casos graves, podem ocorrer manifestações hemorrágicas.
O período de incubação varia de 2 a 21 dias. A doença pode apresentar alta taxa de mortalidade, especialmente quando o diagnóstico e o atendimento médico não ocorrem de forma rápida.
A OMS reforça que o controle do surto depende de diagnóstico precoce, isolamento e atendimento adequado dos pacientes, rastreamento de contatos e colaboração das comunidades afetadas.

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