O que começou como uma prisão em flagrante por suspeita de estupro na manhã de domingo (19 de julho de 2026), em Porto Velho (RO), teve uma reviravolta completa após a análise técnica realizada pela Polícia Civil.
Um motorista de aplicativo de 27 anos, que chegou a ser detido por policiais do 9º Batalhão da Polícia Militar, foi colocado em liberdade após apresentar gravações de áudio e vídeo do circuito interno de segurança do seu próprio veículo.
Abaixo, confira a cobertura jornalística completa e atualizada dos fatos de acordo com as investigações oficiais.
O Caso e a Denúncia Inicial
Na manhã de domingo, uma passageira de 22 anos procurou as autoridades relatando que havia sido mantida no veículo contra a sua vontade e levada a um motel da capital rondoniense, onde teria sido vítima de crime sexual. Com base no relato, a Polícia Militar localizou o motorista em uma igreja e efetuou a condução dele até o Departamento de Flagrantes.
Na delegacia, o condutor confirmou a existência da relação sexual, mas sustentou veementemente que o ato ocorreu de maneira consensual. Ele permaneceu detido temporariamente até a verificação das evidências técnicas.
Vídeos e Áudios Decisivos
A reviravolta no caso ocorreu durante o procedimento policial no Departamento de Flagrantes. A defesa do motorista apresentou arquivos de mídia coletados pelo sistema de monitoramento interno do automóvel.
De acordo com o despacho emitido pelo delegado responsável pela ocorrência, a análise minuciosa das imagens e dos áudios comprovou que:
- Iniciativa da passageira: A própria mulher propôs a relação sexual como uma forma de pagamento alternativo pelo valor da corrida de aplicativo.
- Ausência de coação: Os registros comprovaram que não houve qualquer tipo de ameaça, violência ou constrangimento físico e psicológico por parte do motorista.
Diante da clara atipicidade da conduta (isto é, quando o fato narrado não constitui crime), a autoridade policial decidiu não ratificar a prisão em flagrante.
O trabalhador teve seus pertences e seu veículo restituídos imediatamente e foi posto em liberdade.
Próximos Passos da Investigação e Denúncia Caluniosa
Embora o motorista tenha sido liberado da prisão em flagrante, o inquérito policial continua tramitando para a completa elucidação do ocorrido.
A Polícia Civil já oficiou o motel citado para obter as imagens do circuito externo de câmeras e confrontar todos os horários e dinâmicas daquela manhã.
Por outro lado, a linha de investigação agora atinge diretamente a passageira.
A polícia apura a conduta da jovem de 22 anos sob a suspeita do crime de denunciação caluniosa – tipificado no Artigo 339 do Código Penal, cuja pena pode chegar a 8 anos de reclusão para quem dá início a uma investigação policial sabendo que a pessoa acusada é inocente.
O motorista declarou publicamente que pretende acionar os meios judiciais cabíveis para buscar a responsabilização civil e criminal da denunciante pelos danos sofridos.
