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Assembleia de Deus registra maior percentual de propaganda eleitoral em pesquisa sobre cultos no YouTube

Assembleia de Deus registra maior percentual de propaganda eleitoral em pesquisa sobre cultos no YouTube

Foto: Divulgação/Arquivo Ajustado por IA

5 min de leitura · 927 palavras

Levantamento da More in Common Brasil e de pesquisadores da UFRJ identificou propaganda eleitoral em 8,3% das transmissões da denominação, percentual superior aos registrados entre batistas e católicos. Estudo analisou 7.456 transmissões religiosas e reuniu 13.886 horas de áudio.

 

A maior denominação do Brasil, a Assembleia de Deus apresentou também o maior percentual de propaganda eleitoral entre os segmentos religiosos destacados em um levantamento que analisou milhares de cultos e missas publicados no YouTube.

Segundo os dados divulgados, 8,3% das transmissões da denominação foram classificadas como contendo propaganda eleitoral, índice superior aos registrados entre batistas e católicos.

A pesquisa foi conduzida pela More in Common Brasil em parceria com o grupo de pesquisa Passagens, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O levantamento examinou 7.456 transmissões religiosas realizadas nos dois domingos anteriores ao primeiro turno das eleições, totalizando 13.886 horas de áudio.

Os resultados ganharam repercussão por abordar a presença de manifestações eleitorais durante celebrações religiosas e alimentar o debate sobre a participação política de lideranças religiosas no período eleitoral.

Assembleia de Deus registra 8,3%; veja os percentuais

De acordo com os números apresentados, a Assembleia de Deus registrou o maior índice de propaganda eleitoral entre os três segmentos religiosos com percentuais informados na pesquisa.

Confira os dados:

  • Assembleia de Deus: 8,3% das transmissões;
  • Batistas: 1,4%;
  • Igreja Católica: 0,7%.

O percentual atribuído à Assembleia de Deus é quase seis vezes o registrado entre os batistas e aproximadamente 12 vezes o observado nas missas católicas.

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Na análise geral, os pesquisadores identificaram propaganda eleitoral em 3,2% das transmissões examinadas. Em contrapartida, 96,8% não apresentaram ocorrências classificadas dessa forma, conforme os critérios adotados pelo estudo.

Os números mostram uma diferença entre os segmentos religiosos analisados, mas precisam ser interpretados considerando a metodologia da pesquisa, a quantidade de transmissões de cada grupo e as definições utilizadas para classificar as manifestações como propaganda eleitoral.

O que foi considerado propaganda eleitoral?

Segundo as informações divulgadas sobre o levantamento, a análise procurou identificar possíveis crimes eleitorais e manifestações políticas realizadas nos púlpitos religiosos.

A classificação também considerou manifestações de apoio ou bênçãos associadas a candidaturas ou campos políticos. Esse aspecto é relevante porque nem toda manifestação política feita durante um culto configura, automaticamente, propaganda eleitoral irregular ou crime eleitoral.

A caracterização jurídica depende do conteúdo da fala, das circunstâncias em que ocorreu e dos requisitos previstos na legislação. Por isso, os percentuais identificados pela pesquisa não devem ser interpretados como prova de que todas as manifestações classificadas resultaram em infrações legais.

O levantamento também foi apresentado como contraponto à ideia de que haveria direcionamento generalizado do voto por lideranças religiosas, prática popularmente conhecida como “voto de cajado”.

O que diz a legislação eleitoral?

A Lei nº 9.504/1997 estabelece regras para a propaganda eleitoral, incluindo restrições à sua realização em bens de uso comum. Templos religiosos podem estar sujeitos a essas disposições, conforme o enquadramento legal e as circunstâncias concretas.

É necessário, porém, diferenciar propaganda eleitoral irregular de crime eleitoral. Uma fala favorável a determinado candidato não constitui necessariamente um crime, e a aplicação de sanções depende da análise jurídica dos fatos.

A Constituição Federal, por sua vez, assegura a liberdade religiosa e o livre exercício dos cultos, conforme o artigo 5º, inciso VI. Essas garantias devem ser consideradas em conjunto com as normas eleitorais, sem presumir irregularidades apenas pela existência de manifestações políticas em ambientes religiosos.

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Financiamento da pesquisa também gera questionamentos

Além dos resultados, o material que repercutiu o levantamento levanta questionamentos sobre o financiamento da More in Common Brasil e a transparência dos procedimentos utilizados na pesquisa.

Entre as organizações mencionadas está a Luminate, ligada ao grupo do empresário Pierre Omidyar, fundador do eBay. O texto de origem afirma que a organização recebeu US$ 4,3 milhões da rede em 2017 e 2019.

Entretanto, uma relação de financiamento com uma organização internacional não comprova interferência nos resultados deste levantamento. Para avaliar a questão, é necessário verificar os documentos relativos ao financiamento específico da pesquisa, as informações metodológicas e as explicações dos responsáveis.

Também foram levantadas dúvidas sobre a destinação das transcrições produzidas durante a análise. Esses pontos precisam ser confirmados com os responsáveis pelo estudo antes de qualquer conclusão sobre eventual falta de transparência.

O que os dados revelam?

O principal resultado é a diferença entre os percentuais registrados nos segmentos religiosos destacados: a Assembleia de Deus aparece com 8,3%, seguida pelos batistas, com 1,4%, e pelas missas católicas, com 0,7%.

Embora o índice da Assembleia de Deus seja superior aos demais apresentados, os dados não permitem concluir, isoladamente, que a propaganda eleitoral seja uma prática generalizada em toda a denominação. A pesquisa se restringiu às transmissões examinadas, em um período específico, e depende dos critérios empregados pelos pesquisadores.

Os números contribuem para o debate sobre religião e política no Brasil, mas a interpretação dos resultados exige distinguir os dados estatísticos, as avaliações dos pesquisadores e as conclusões jurídicas sobre eventuais irregularidades.

Fonte: levantamento da More in Common Brasil em parceria com o grupo de pesquisa Passagens, da UFRJ.

1 comentário

  1. Pesquisa analisa milhares de cultos e missas e revela percentual de transmissões com propaganda eleitoral – Portal de Notícias 14/10/2026 às 23:00

    […] em 3,2% do conjunto analisado. Por segmento religioso, os percentuais informados foram de 8,3% nas transmissões da Assembleia de Deus, 1,4% entre os batistas e 0,7% nas missas […]

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