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Zelensky diz que Rússia continua atacando a Ucrânia após Trump anunciar cessar-fogo

Zelensky diz que Rússia continua atacando a Ucrânia após Trump anunciar cessar-fogo

Carros e casas residenciais destruídas em um ataque russo a Kharkiv, Ucrânia - Foto: AP/Andrii Marienko

5 min de leitura · 922 palavras

Presidente ucraniano afirma que não foi informado previamente sobre o suposto acordo e relata novos ataques a instalações de energia; Kremlin diz que contatos seguem em andamento, mas não confirma a trégua.

 

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta segunda-feira (12) que forças russas continuaram atacando instalações de energia ucranianas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um suposto acordo de cessar-fogo entre os dois países para suspender bombardeios contra infraestruturas energéticas.

O anúncio foi feito por Trump no domingo (11), em uma publicação na rede social Truth Social. Segundo o presidente americano, Rússia e Ucrânia haviam concordado em interromper imediatamente os ataques às instalações de energia uma da outra. Entretanto, ele não apresentou detalhes sobre as condições do entendimento.

Nesta segunda-feira, o Kremlin informou que os contatos sobre a proposta continuam em andamento, sem confirmar oficialmente a existência de um acordo.

Durante participação no Fórum de Segurança de Varsóvia, na Polônia, Zelensky afirmou que o governo ucraniano soube da iniciativa por meio da imprensa e que não recebeu confirmação de Moscou sobre a suspensão dos ataques.

“Apoiamos a proposta, mas não ouvi nenhuma aprovação por parte da Rússia”, declarou o presidente ucraniano.

Zelensky relata novos ataques a instalações energéticas

Segundo Zelensky, após o anúncio de Trump, forças russas atingiram uma usina de energia na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia. Ele também relatou ataques a uma instalação de produção de gás e a um posto de combustíveis.

Ao comentar a situação, o presidente ucraniano ironizou a declaração do líder americano.

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“Ficou claro que Putin não lê o Truth Social”, afirmou Zelensky, em referência à plataforma utilizada por Trump para anunciar o suposto acordo.

O presidente ucraniano disse que o país está disposto a suspender os ataques contra instalações energéticas russas, desde que Moscou interrompa as ofensivas contra a infraestrutura ucraniana.

Zelensky também pediu que os Estados Unidos pressionem o governo de Vladimir Putin para que a proposta seja efetivamente cumprida. Ele advertiu que a Ucrânia poderá responder militarmente caso os ataques continuem.

Um homem ferido recolhe seus pertences pessoais em frente à sua casa destruída em um ataque russo em Kharkiv, Ucrânia, domingo, 11 de outubro de 2026 - Foto: AP/Andrii Marienko
Um homem ferido recolhe seus pertences pessoais em frente à sua casa destruída em um ataque russo em Kharkiv, Ucrânia, domingo, 11 de outubro de 2026 – Foto: AP/Andrii Marienko

Infraestrutura energética é alvo dos dois países

A suspensão dos ataques contra instalações de energia é uma das propostas discutidas para reduzir os impactos da guerra, iniciada em fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.

Ao longo do conflito, instalações responsáveis pelo fornecimento de eletricidade, aquecimento e gás foram atingidas, comprometendo serviços essenciais para a população civil.

A Ucrânia também realizou ataques contra refinarias de petróleo e outras estruturas energéticas em território russo.

Zelensky afirmou que uma trégua nesse setor poderia representar um passo para reduzir as hostilidades e abrir caminho para negociações mais amplas. No entanto, ressaltou que a iniciativa depende do cumprimento recíproco das condições.

Não é a primeira vez que Trump anuncia um possível entendimento para interromper ataques contra instalações energéticas. Segundo o relato original, uma declaração semelhante foi feita em setembro, mas os bombardeios continuaram.

Um socorrista combate um incêndio em casas residenciais destruídas em um ataque russo a Kharkiv, Ucrânia, – Foto: AP/Andrii Marienko

União Europeia demonstra cautela

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, manifestou ceticismo sobre a possibilidade de Moscou cumprir um eventual cessar-fogo.

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Durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores do bloco, em Luxemburgo, Kallas defendeu que uma trégua não se limite à infraestrutura energética e também contemple a proteção da população civil.

A discussão ocorre em meio a divergências entre Washington, Kiev e governos europeus sobre as medidas adotadas para reduzir os custos da energia e avançar nas negociações.

Na sexta-feira (9), Trump anunciou um entendimento com Putin relacionado à importação de diesel russo pelos Estados Unidos. A iniciativa provocou críticas de autoridades europeias e de parlamentares americanos, que questionaram os possíveis efeitos econômicos e políticos da medida durante a guerra.

Um grupo de seis senadores americanos, incluindo quatro republicanos, pediu que o governo revertesse o entendimento, argumentando que a compra de combustível poderia ampliar os recursos financeiros disponíveis para a Rússia.

O ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, também questionou os efeitos da iniciativa sobre os preços internacionais dos combustíveis.

Ataque russo deixa mortos e feridos

Enquanto as discussões diplomáticas continuam, novos ataques foram registrados em território ucraniano.

Segundo informações do Ministério Público regional, um ataque com drone russo contra a localidade de Pisochyn, na região de Kharkiv, deixou três pessoas mortas e nove feridas na noite de domingo (11). Entre os feridos estavam crianças.

Os episódios reforçam a incerteza em torno da proposta anunciada por Trump. Até a divulgação das informações, não havia confirmação oficial de um acordo de cessar-fogo energético aceito formalmente pelos dois governos.

Fonte: Associated Press (AP).

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